Dia da Mulher: Academia da Força Aérea forma primeira turma feminina da infantaria
08/03/2026
(Foto: Reprodução) Academia da Força Aérea de Pirassununga forma primeira turma de mulheres da infantaria
No Dia Internacional da Mulher, comemorado neste domingo, 8 de março, uma conquista feminina histórica é celebrada. Pela primeira vez a Academia da Força Aérea (AFA), em Pirassununga (SP), formou uma turma com mulheres no quadro de infantaria.
A conquista marca um novo capítulo na presença das mulheres na AFA, que agora estão inseridas na área responsável pelas missões operacionais de liderança em solo.
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Admitidas no curso de Formação de Oficiais de Infantaria, as mulheres rompem o último dos ambientes na AFA que ainda era composto somente pela presença masculina.
O processo seletivo incluiu provas teóricas, testes físicos e psicológicos e homens médicos, sem nenhuma distinção entre homens e mulheres.
🎓 Em 2029 as primeiras líderes à frente da infantaria estarão formadas e prontas para coordenar missões de força, defesa antiaérea e também de operações especiais na força aérea brasileira. Conheça a seguir mulheres que fazem parte da história da AFA 👇
A cadete Sara Paulich, de 21 anos, é uma das três mulheres que fazem parte da primeira turma com presença feminina no quadro de infantaria da AFA
Reprodução/EPTV
Pioneiras militares 🪖
A cadete Sara Teixeira Pinto Paulich, de 21 anos, faz parte da histórica do curso de infantaria. Na turma com total de 20 pessoas, as únicas mulheres serão ela e mais duas colegas.
Ela conta que sonhava em fazer parte das forças aéreas desde o ensino médio. Natural de Itaperuna, no Rio de Janeiro, ao terminar o colegial se mudou para a capital para iniciar um curso preparatório. Depois de três anos de estudo, veio a aprovação.
A família está muito feliz com a conquista de Sara, que vive agora em Pirassununga para os estudos na academia. Ela não esconde a empolgação em fazer parte do novo capítulo das mulheres dentro da AFA, e espera que a presença feminina cresça ainda mais.
"Tô muito feliz! Porque a gente introduzindo isso, muitas garotas virão depois. E eu quero muito ver como isso vai caminhar a partir daqui", celebrou.
Desafios e preparação física 🏋️♀️
A cadete Sara Paulich, de 21 anos, faz parte da primeira turma com mulheres do curso de Formação de Oficiais de Infantaria da Academia da Força Aérea
Reprodução/EPTV
O objetivo da cadete Paulich em viver desafios logo vai ter início: em algumas semanas ela deve participar do seu primeiro salto de uma aeronave. A atividade não ocorre em dupla, os cadetes pulam sozinhos.
A rotina de preparação é intensa e seu desempenho no processo já está sendo avaliado durante atividades de subir na corda e correr, por exemplo. O capitão de infantaria, Gabriel de Araújo Tonetti, conta que o salto exige muito do preparo físico, e por isso existem os testes.
"Força no braço, habilidade motora, para que a pessoa consiga fazer o salto em segurança. Então esse teste evidencia isso, ele vale nota mas não desliga o cadete, é só para ter essa análise", explicou.
Quebrando barreiras 🛩️
O ingresso das novas cadetes na área da infantaria faz parte da conquista das mulheres por espaços dentro da AFA. Todas que vieram abriram caminhos que possibilitaram um novo caminho.
A cadete aviadora Andrielly Beatriz Vargas está no último ano da Formação de Oficiais Aviadores. Atualmente, ela carrega em seu pescoço o cachecol que representa o primeiro voo solo, uma conquista muito importante dentro do curso, especialmente para as mulheres.
"Representa toda a barreira que mulheres 30 anos atrás quebraram pra que hoje eu tivesse essa oportunidade. É um sentimento de muita gratidão, de reconhecimento, resiliência e coragem que muitas mulheres tiveram. Um desejo de dar sempre o meu melhor pra honrar a história de todas as mulheres que possibilitaram essa experiência", disse.
'Vencendo preconceitos'
Academia da Força Aérea (AFA) em Pirassununga
Vitor Diagonel/EPTV
Há 30 anos, a atual coronel intendente da AFA, Elaine Plaza Montenegro, era cadete. Sua história na academia se estende até os dias atuais, cruzando com a nova geração de mulheres na força aérea.
"A gente tá quebrando paradigmas, vencendo preconceitos, resistências e contribuindo para a evolução da força aérea, da nossa sociedade. Pra mulher poder estar conquistando cada vez mais espaços nas mais diversas áreas", afirmou.
As cadetes mais novas se emocionam com a presença da coronel, agradecem pela grande contribuição prestada por ela e pelo legado deixado às futuras gerações.
A cadete Paulich, que agora também faz parte da história da luta feminina na AFA e do marco na área da infantaria, fala que a esperança é poder continuar abrindo caminhos às demais.
"A coronel abriu todo o segmento feminino aqui e a gente agora espera abrir o quadro de infantaria pras próximas que virão", disse.
Mulheres na academia ♀️
Em 1996, as mulheres foram admitidas pela primeira vez na Academia da Força Aérea (AFA), no curso de Formação de Oficiais Intendentes.
Reprodução/EPTV
A academia está instalada oficialmente em Pirassununga desde o início da década de 1970. Apenas em 1996 as mulheres começaram a fazer parte da AFA, sendo admitidas no curso de Formação de Oficiais Intendentes.
Em 2003, a presença feminina foi expandida para o curso de Formação de Oficiais Aviadores. Sete anos depois, em 2010, foi a primeira vez que uma mulher desempenhou a função de instrutor de voo.
Com a nova conquista, em 2026, as mulheres agora fazem presença nos três cursos oferecidos pela AFA, que ainda é um ambiente predominantemente masculino mas tem caminhado para mudança.
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